Era uma vez Michael Jackson…

Uma pequena homenagem ao aniversário da morte do Rei do Pop.

Para Michael Jackson, em meados de 1987, as noites de sábado já não eram tão divertidas quanto quando entoava hits da discoteca ao lado de seus irmãos à frente do grupo Jackson 5. O sucesso viera a galope e, com ele, o paradoxo que pontuaria a vida de Michael: a adulação dos milhares de fãs, reflexo direto de seu impacto na cultura popular mundial, trazia consigo o aprisionamento do astro pelo seu próprio sucesso.  Quando comprou o rancho Neverland, era a sua intenção que a localização afastada e perímetro avantajado do lugar lhe oferecesse uma certa liberdade, quem sabe até mesmo a possibilidade de uma vida normal. Caminhava às vezes a pé pelo rancho, que batizara em homenagem ao cenário das aventuras de seu herói e modelo, Peter Pan, durante a madrugada, sozinho, com as mãos enterradas nos bolsos da jaqueta, chutando pedras, cantarolando melodias ainda desencontradas, quem sabe futuros sucessos, se perguntando a cada milha caminhada por que ele, o maior astro de sua geração, não era capaz, afinal, de sair na rua e fazer um único amigo.

Como Picasso, Frank Sinatra ou Madonna, Michael atravessou fases estilísticas. Houve os anos com o Jackson 5 na Motown, lendária gravadora de R&B e berço dos mais influentes artistas negros da história, como Marvin Gaye e Diana Ross; o período solo definitivo, iniciado com o álbum Off the Wall em 1979; a Era Thriller, de 1982, até hoje o álbum mais vendido de todos os tempos e o começo da expansão rítmica de Michael com a produção inovadora e arrojada de Quincy Jones, que acrescentou pitadas de rock, soul e pop às influências de funk de Michael; a fase Bad, que trazia um Michael mais agressivo e sensual; a Era Dangerous que cimentou sua condição de ícone e a fase crepuscular dos álbuns HIStory (1997) e Invincible (2001). Ora, após traçar a carreira de maior sucesso na história da indústria fonográfica, é de se imaginar que Michael não tivesse mais nada a provar. Ele poderia descansar e curtir a velhice em paz ao lado dos filhos e repousar sobre os louros de sua incrível carreira, certo? Se ao menos fosse tão simples…

Michael entrou no novo século como um astro recluso. Os fãs mais antigos não via no debilitado cantor a sombra do showman que estabelecera o padrão para todos os astros Pop que viriam depois dele. Os mais novos, que cresceram ouvindo Britney Spears e Justin Timberlake (ambos fãs confessos de Michael) mal enxergavam além das polêmicas e escândalos, e o considerava mais fora de moda do que as jaquetas cheias de zíperes que tinham sido sua marca. Mas ainda havia aqueles que sabiam que o Rei estava caído, mas não derrotado. Havia aqueles que sabiam que o homem que revolucionara a dança para sempre ainda podia ouvir a batida do seu próprio coração e encontrar nela o tom certo para canções ainda não cantadas, passos não executados. Havia aqueles que acreditavam fervorosamente que Michael era capaz de ressurgir das cinzas. Talvez até rodopiasse, chutasse o ar e agarrasse a virilha, enquanto rosnava num tom ameaçador à imprensa marrom: “Who´s bad?”

Quando Michael anunciou a turnê This is It (em português, algo como “Este é o final”), poucos puderam ignorar o tom profético do título. Aos 50 anos de idade, Michael mantinha a aparência frágil dos tempos de garoto: o corpo magro se empertigava ao ritmo das canções com a mesma destreza de anos atrás. A voz era tão boa quanto sempre fora, talvez até melhor. As cenas dos ensaios para a turnê, no entanto, só viriam a público tempos depois, como forma de honrar a visão não-realizada do artista. Até então num hiato artístico de anos em função de um longo e doloroso julgamento, muitos ainda tinham na cabeça um Michael algemado e acuado. À essa altura, porém, o público já havia aprendido a sempre esperar o inesperado de Michael Jackson.

This is It prometia ser a derradeira fase do cantor que ilustrou o cenário Pop por quase cinco décadas. E essa fase seria talvez a mais significativa e representativa do seu talento, pois seria a fase da ressurreição, ato nunca antes realizado no cenário do entretenimento em tamanha magnitude. Hoje, um ano depois do falecimento de Jackson, fica claro o legado deixado pelo astro. Políticos, guerreiros, aventureiros, esportistas e humanitários serão lembrados para o título de Homem do Século. Muita gente vai preferir um artista, um artista tão completo que pode ser considerado um misto de tudo isso, alguém que tenha alegrado os corações com a beleza de uma canção, alguém que tenha alcançado nossas emoções mais íntimas como apenas um verdadeiro amigo conseguiria. Muitos vão votar em Michael Jackson.

Escrito com coração por um amigo e também grande fã de MJ, Danilo Camargo

My Space / Twitter

Uma resposta

  1. Michael,mas do que um artista foi um grande ser humano, e ao meu ver merece todas as honrarias.
    Bjos

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