A louca história da minha vida!

Para quem não me conhece bem, abaixo um pedacinho da minha vida até hoje…

Minha história começa quando resolvi sair do Brasil a 10 anos e fui parar nos Estados Unidos, mais precisamente no Kansas. Trabalhei em uma pequena fazenda onde recolhia feno, plantava milho e tratava dos animais no celeiro…eu com macacão azul numa pick up Ford 1970, uma espingarda 12 cano duplo punheteira embaixo do banco. Dirigia sempre até Pequenópolis para fazer compras no mercadinho do Waine, onde tinha uma conta por mês e confesso que adorava abrir aquelas portas com sininho “trilim trilim”, saudades.

Fiz amizade com os Kent uma família muito gente boa de lá e que tem um filho chamado Clark, um porra louca diga-se de passagem. Comentávamos sobre coisas que um tal de Lex andava fazendo contra a propriedade deles e coisa e tal, ou me contavam sobre fatos esquisitos que ocorreram logo após uma chuva de  meteoros ter caído anos atrás antes de eu chegar.

Adorava tomar limonada em uma barraca montada pelas crianças do colégio no dia de Ação de Graças, ver o desfile anual na única avenida de Pequenópolis e devorar jujubas. Me lembro também de como era bom me sentar na varanda e ver por trás das montanhas os fogos explodindo na cidade no 4 de julho.

Logo fui descoberto pelo FBI, e a Imigração caiu com os dois pés depois de me seguirem nas minhas idas a Pequenópolis. Me intimaram para depor e ver minha real situação no País onde por meu descuido “oh my god” estava clandestino a 4 years… que triste my life, meu sonho seria destruído.

Tudo por culpa de um simples documento falso que me deram em Nova York quando cheguei ao país, malditos, me passaram o pé. Me juraram que era o tal Green Card, isso só “amarelou” minha vida isso sim.

Teria eu então uma noite apenas para sair do País então corri apavorado para a casa dos Kent e pedi ajuda já que meu tempo era mínimo. Clark acabara de chegar, estava mudando alguns pastos de lugar para o pai, era um meninão muito forte.

Logo pedi sua ajuda e ele logo se prontificou, pois me devia um favor de quando o defendi em uma briga na cidade, se não chego na hora Clark teria morrido, aquele merdinha. Então pedi uma carona para Clark, que me levou nas costas correndo mais rápido que a luz até Nova York, até então não sabia o jovem rapaz corria tanto.

Clark até aproveitou que estava lá e comentou meio por cima que ia visitar um amigo que morava lá e tinha sido picado por um inseto, e estava meio mal…um tal de Peter Parcker creio eu… não me recordo bem.

Poxa, estava eu em Nova York, com alguns trocados da colheita passada e com umas roupas velhas na mochila…totalmente perdido na Big Apple.

Consegui um muquifinho no Brooklyn onde o cara que me alugou jurava ser seguro, cômodo e limpo. Trabalhava na madrugada no porto de Manhatan descarregando e limpando peixes que chegavam em um navio chinês. Durante o dia me vestia com uma roupa amarela de palhaço e cabelo vermelho em uma rede de fast-food que me forçava a dizer “I’m Lovin’ it!”.

Minha vida seguiu normal por alguns dias, a Imigração me deu um tempo e tudo estava caminhando numa boa até o dia que conheci um cara chamado Muhamed Al Mahak, chamado carinhosamente por mim como “Memed”, que dava um trampo comigo lá no porto e coisa e tal. A personalidade dele era muito explosiva, mas era meu amigo e eu levava de boa.

Ele morava comigo, dormia no quarto ao lado, só que as paredes eram muito finas e durante a noite eu o escutava aos berros ao telefone. Ele sempre me dizia que algo ruim iria acontecer, e que só dependendia de um americano e um acordo de paz, não entendia ao certo, uma viajera dos caras.

Em uma dessas conversas reparei que ele chamava o cara do outro lado de Bin…Binho sei lá, vai saber…enfim, éramos bons amigos.

Um dia perguntei a Memed o que realmente havia nas ligações dele para com seu povo e coisa e tal. Memed me explicou que havia um amigo Afegão e um Americano que estavam brigando muito, o Americano estava devendo uma grana e ainda por cima ofendeu o Afegão.

Memed dizia que estava de mediador na parada e que se as coisas não fosse resolvida iria ligar para o seu amigo Afegão que iria pegar feio o Americano. Mas Memed me revelou que tudo havia dado certo, e que os dois fizeram um acordo e que tudo ia ficar bem. Aliás, mesmo dia ele ia falar com seu amigo para confirmar se o americano tinha ou não cumprido a promessa.

Mais tarde resolvemos pedir uma pizza, então Memed ligou para pizzaria do Joe e falou com um homem muito gentil que o atendeu prontamente. Na hora do telefonema Memed começou a sentir uma imensa dor de barriga, e nisso acelerou o pedido, estava realmente apertado e pronto para explodir. Memed começou a pedir rápido, pediu mussarela, presunto, espinafre, brócolis, azeitonas, coca-cola e tudo mais.

Eu estava voltando da cozinha, havia ido tomar água. Já borrando as calças Memed me diz vermelho e suando “Toma! Finaliza o pedido!” e jogou o telefone em cima do sofá. Peguei o aparelho caído e sem entender coloquei o telefone no gancho. Logo em seguida toca o telefone e uma voz grossa diz “Finaliza?” (o Joe devia estar resfriado ou coisa do tipo) e eu rapidamente disse “Sim, manda vê!” e desliguei.

Naquela noite, nunca entendi o porque que a pizza nunca veio, e porque Memed estava tão ansioso por uma ligação que não veio naquela noite. Enfim, no dia seguinte estávamos no porto como de costume e vimos dois aviões se chocar com as Torres do WTC.

Estávamos sendo atacados, de todos os lados. Um dia que nunca mais esquecerei pois a policia americana começou a fazer um arrastão, e o que rodou de latino, chinês, afegão e indiano não está escrito.

Eis que caio novamente nas mãos da Imigração, e ela mesma tratou de me expulsar de lá e hoje estou morando aqui em São José do Rio Preto-SP. Conheci a Publicidade e Propaganda, comecei a estudar e só tive que trancar a faculdade por alguns motivos financeiros da época. Trabalho desde então em uma agência da cidade.

Até hoje troco cartas com Memed que também voltou pra casa, e hoje toma conta de um rebanho de camelos e possui 19 mulheres com 49 filhos homens. Dez de seus filhos são participantes da Al Qaeda, outros dez são pilotos formados da American Air Lines, 2 trabalham na fazenda dos Kent  por indicação minha, e 7 trabalham em uma casa de fogos em Pequenópolis.

Fim!

Segue abaixo uma foto do Memed (de branco e turbante verde) com seus amigos, uma das últimas que me mandou..na ocasião ele mostrara o carro que havia comprado com a venda de alguns camelos e do salário do porto onde a gente trabalhava.

Autor:  Zezinho (@O Abobrinha)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: